Na Terapia Cognitivo-Comportamental, compreendemos que o vínculo estabelecido entre a mãe e a criança ocupa um papel central na formação emocional e cognitiva do indivíduo. As experiências vividas na infância, especialmente dentro da relação materna, funcionam como base para a construção das crenças centrais que irão orientar a forma como a criança percebe a si mesma, os outros e o mundo.
Como aponta Aaron Beck,
“As experiências iniciais moldam as crenças centrais que influenciam pensamentos, emoções e comportamentos ao longo da vida.”
Nesse sentido, a mãe, enquanto figura primária de vínculo, torna-se uma referência fundamental na organização emocional da criança. Suas respostas emocionais, sua disponibilidade afetiva e a forma como valida (ou invalida) as emoções do filho contribuem diretamente para a construção de esquemas mais funcionais ou disfuncionais.
Judith Beck reforça que:
“As crenças desenvolvidas na infância tendem a ser aceitas como verdades absolutas, especialmente quando reforçadas por figuras significativas.”
Isso significa que mensagens explícitas ou implícitas transmitidas no contexto da maternidade — sobre valor pessoal, segurança, afeto e aceitação — tendem a ser internalizadas e carregadas ao longo da vida.
Além disso, o modo como a mãe se comunica emocionalmente com a criança influencia diretamente o desenvolvimento do diálogo interno infantil. Como destaca Donald Meichenbaum:
“A forma como falamos com as crianças se transforma na forma como elas falarão consigo mesmas no futuro.”
Assim, o vínculo mãe–filho não se limita ao cuidado físico, mas constitui um espaço de aprendizagem emocional, no qual a criança desenvolve autorregulação, autoestima e estratégias de enfrentamento. Investir nesse vínculo é, sob a ótica da TCC, uma das formas mais potentes de promoção e prevenção em saúde mental.